Em Sigmund Freud, o que move o sujeito não se reduz ao princípio do prazer, apontando para um além dele. É na repetição que esse além se anuncia como um núcleo que não se deixa capturar pela significação, mas do qual é possível fazer borda. Essa formulação encontra consistência na leitura de Além do princípio do prazer, na qual a repetição não corresponde à satisfação, mas à insistência de um resto que coloca em jogo a hipótese da pulsão de morte.
Nos sintomas contemporâneos, observam-se manifestações marcadas pela urgência nos modos de gozo, em detrimento de formações que solicitam interpretação. Nota-se maior prevalência de compulsões e fenômenos corporais, nos quais o sofrimento não se organiza como enigma, mas se apresenta como modos de afetação do corpo. A partir dessa perspectiva, o curso propõe investigar as transformações do estatuto do sintoma, articulando a clínica freudiana às leituras de Jacques Lacan sobre o gozo e a repetição.