Dando continuidade ao percurso desenvolvido em 2026.1, este grupo de estudos será dedicado à clínica psicanalítica contemporânea, com particular atenção às chamadas patologias do ato e às configurações compulsivas que se sobressaem no horizonte clínico atual. Se, em um primeiro momento, interrogamos o estatuto do mal-estar na civilização – do conflito freudiano entre pulsão e cultura à passagem do sintoma ao sinthoma em Lacan, propõe-se agora deslocar o eixo do trabalho para o terreno propriamente clínico: como ler, no caso a caso, as apresentações sintomáticas que se impõem ao analista contemporâneo e como sustentar, frente a elas, uma direção do tratamento orientada pela ética da psicanálise.
Serão tomados como fios condutores, de um lado, a distinção lacaniana entre passagem ao ato e acting-out – articulada à pluralidade de fenômenos do agir que comparecem na clínica (autolesões, suicídio, restrições e compulsões alimentares, condutas aditivas, atuações no consumo, na sexualidade e no campo digital) – e, de outro, a tese segundo a qual a economia de gozo do discurso do capitalista produz uma reconfiguração das modalidades subjetivas de sofrimento, nas quais predominam o curto-circuito do desejo, o imperativo de gozar e o enfraquecimento do laço. Examinaremos, fundamentados nessas diretivas, os quadros mais frequentes da clínica atual: depressões, melancolias, pânicos, transtornos alimentares, toxicomanias, autolesões, estados-limite, hipocondrias e queixas psicossomáticas -, sem reduzi-los a entidades nosográficas isoláveis nem dissolvendo-os em rótulos que apaguem a posição do sujeito.
Os encontros, de caráter não apenas expositivo, mas, sobretudo, pautados na interação entre os participantes, serão sustentados por uma ética da escuta que recusa tanto a patologização da diferença quanto a medicalização da falta, recolocando o trabalho analítico no horizonte da interpretação, da sublimação e da invenção sint(h)omática singular. Espera-se, ao final do percurso, que os participantes disponham de recursos teóricos e clínicos que lhes permitam operar com rigor diagnóstico estrutural e com tato ético frente aos impasses que, na contemporaneidade, a clínica coloca à direção do tratamento.