As questões sintomáticas que atravessam o contemporâneo são sustentadas por uma marca que pretende a anulação das diferenças. A psicanálise insiste em furar essa lógica, propondo a inclusão do campo do inconsciente e dando dignidade àquilo que é a sua causa: insistir sobre a primazia do desejo. O objetivo do trabalho deste semestre consiste na sustentação do diálogo sobre o irredutível no inconsciente, fundado na estrutura simbólica que inscreve, na relação com a falta, o campo do desejo. O contraponto dessa discussão será a frente discursiva contemporânea, que resiste a esse respeito quando insiste em rechaçar a castração.
Se, por um lado, o inconsciente insiste e se faz revelar no percurso de uma análise – na qual o sujeito se arrisca a partir do encontro com os seus restos –, o contemporâneo faz o convite à obturação dessa abertura. A articulação teórica em Freud e em Lacan, com a inclusão de vinhetas clínicas, norteará os encontros.
Bibliografias:
Freud, Sigmund. (1930[1929]). “O mal-estar na civilização”. Em: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
Lacan, Jacques. (1953). “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
Lacan, Jacques. (1957). “A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.